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O uso excessivo pode causar dependência.
Poezine di Crisviscium
07/07/2009
É engraçado como vemos o tempo em cada uma das fases de nossas vidas, quando eu
era pequeno (ou mais novo se preferir), achava que o tempo demorava para passar, assim
como todo mundo creio eu.
Na sala de aula então era um martírio esperar o sinal tocar para o intervalo, e pior ainda
para o término da aula. Acredito que um dos motivos para ter ido mal em alguns (vários)
anos da escola, era a impaciência de ler as provas com calma e perder alguns minutos
tentando responder as questões que muitas vezes deixei em branco por preguiça de
pensar e pela pressa de sair da sala de aula.
Parece que nesse ponto minha filha está seguindo os passos do pai, e isso é muito, mas
muito preocupante mesmo. Mas quem sou eu para julgar, ela também deve achar que o
tempo demorará para passar e que no fim tudo dará certo sem muito esforço.
Ok... Acabou a infância e eu estava tão preocupado que o tempo não passava que ele
passou sem que eu percebesse, foi quando veio a pré-adolescência e eu percebo hoje
que a minha preocupação com o tempo não passar me despreocupou comigo em diversos
aspectos que me tornaram o baixinho, gordinho de óculos fundo de garrafa e aparelho nos
dentes. Tá... óculos e aparelhos não tinha muito como evitar, mas o fato de ser gordinho
tinha.
Resultado, era o cara zuado da classe, o nerd que resolveu se rebelar, fez um monte de
merda e perdeu um monte de tempo tentando se auto-afirmar. Adiantou em algo?
Não!
Beleza... Mudança de vida, de padrão de vida, de escola, amigos e tudo mais...
Comecei a trabalhar aos 14 anos de office-boy interno (acho que muita gente nem sabe o
que é isso) e estudar a noite em um colégio do estado, onde comecei a pegar um pouco de
malícia, a qual acabou me encantando e nunca mais a larguei. Que merda!
Acabado o ginásio fui para uma escola particular fazer colegial técnico. Primeira tentativa
foi Administração (failed), segunda tentativa Publicidade (failed), terceira tentativa Proces-
samento de Dados (failed); mas aprendi a cabular aulas, a beijar, a transar a beber e até
a fumar de vez em quando, mas não foi aí que me viciei.
Melhor mudar, voltar para o primeiro colegial aos 18 anos de manhã deve ajudar. Em partes
ajudou, mas em outras não.
Enfiim... Continuo sem muita paciência para fazer as coisas, e escrevi tudo isso até aqui porque
estava pensando que tenho que fazer uma planilha para planejar melhor meu tempo; foi então
que percebi que mais uma vez que hoje, apesar das mesmas 24h me falta tempo para fazer o
que gostaria de fazer. Falta também um pouco de disposição e comprometimento, mas é
mais fácil culpar o tempo.
16/11/2008
Ontem foi aniversário de meu pai, e hje de minha irmã, e acho que o meu
maior presente aos dois veio inconscientemente.
Hoje resolvi falar tudo que não falei a vida toda, acho que acabei sendo até
meio desagradável com algumas das pessoas que foram atingidas por meus
comentários. Velhos amigos, que hoje já podem ser chamados de amigos
velhos foram atingidos por palavras pensadas tiradas de minha mente
despreocupada com a reação, e principalmente com o teor de tais palavras.
Palavras afiadas que com cereteza não causaram nenhum conforto, pelo
contrário, causaram muito desconforto. Ainda mais vindo daquele que nunca
fala, simplesmente observa e prefere abster-se de comentários. Mas hoje foi
diferente, foi instantâneo, automático e implacável.
E o choro, o que tem a ver?
Viemos para casa, eu e meu pai conversando sobre shows, ídolos e afins; até
que chegando em casa começamos a escutar músicas e discutir sobre arranjos
e as lembranças que as músicas trazem. Foi então que resolvi colocar Villa-Lobos
para meu pai escutar.
A princípio ele não assimilou que fosse Villa-Lobos, mas quando falei pude ver seus
olhos brilhando; coisa não muito comum para um cara de 61 anos mais racional do
que emocional. Escutamos o "Trenzinho caipira", e na sequência escutamos "Melodia
Sentimental". A segunda toda tocada em violão com acordes trabalhadíssimos,
acordes que até então só vira meu avô Benjamin tocando sentado em seu sofa de
napa marron, com seu cigarro inseparável pendurado no canto da boca enquanto
dedilhava o violão.
E meu pai chorou...
04/07/2008
Emagreci, e agora?
Tenho saúde, e agora?
Tenho um bom emprego, e agora?
Tenho uma filha linda e inteligentes, e agora?
Tenho uma família meio estranha, mas estão todos bem, e agora?
Tenho uma namorada que apesar de estarmos longe é companheira,
e agora?
O que mais eu quero?
O que mais você poderia querer?
Com tudo isso só posso chegar à conclusão que sou um sortudo, ou
que sou feliz. Mas porque insisto em procurar algo com que me preocupar?
Oras, porque sou humano!
E como humano nada nunca me deixará satisfeito, sempre procurarei algo
que me torne insatisfeito, que me faça buscar um algo a mais, e normalmente
uma algo mais que seja quase inalcançável. E para que?
Oras, para ter do que reclamar.
Será que seremos sempre assim?
Nada nunca nos deixará satisfeitos?
Essa insatisfação continua tem me deixado insatisfeito até com minhas
conquistas, meu sucesso já não me basta, e insisto em diminuir minha glória
a um simples "consegui mais uma vez".
Isso é péssimo, é degradante e stressante, perder tempo se lamuriando do
nada, do que poderia acontecer de errado, de achar que tá legal, cheguei até
aqui, mas e daqui para a frente, o que poderá acontecer?
Dane-se o que pode acontecer, que aconteça! Merda de insatisfação!
Você tem certeza que quer uma vida perfeita?
Pense bem, quando a encontrar não terá do que reclamar. E o que fará então?
05/06/2008
Hoje durante o almoço fiz algo que não faço a tempos... Conversei.
Que me desculpem meus contatos do msn e outros meios digitais,
mas para mim conversa é assim, cara a cara.
Isso é bom, faz bem sair da concha de vez em quando; ainda mais
quando o papo te desperta interesse.
A pauta foi preservação ambiental.
O que você faz para preservar o planeta?
Não, não precisa se filiar ao Greenpeace, à WWF e a nenhum outro
órgão protetor do meio ambiente; basta pensar no seu umbigo, aquele
pequeno buraquinho que fica um palmo acima de sua genitália. Ou se
preferir pense no seu bolso, pronto! Isso já será suficiente.
Se você economizar tempo de banho, economizará água e seus bolsos
e as represas ficarão mais cheios. Se toda vez que sair do quarto para
ir à cozinha para pegar um copo de qualquer coisa, apagar a luz do quarto
fechar a porta da geladeira logo que retirar a garrafa, o prato, ou o refratário
que contenha o que você foi pegar; abrir a geladeira, guardar o que pegou,
fechar a pobrezinha da frígida, apagar a luz da cozinha, entrar no quarto,
acender a luz e desfrutar do conforto que só ele oferece; mais uma vez
estará deixando as represas e todo eco-sistema que as habita, bem como
o seu bolso também mais cheios. Pode ser menos vazio se preferir.
Simples, não?
Você tem costume de jogar latas e papéis nas ruas?
Sabia que tem gente que ganha dinheiro com isso?
Não, não são os garis que você está tentando ajudar quando tem esse tipo
de atitude, afinal não você, mas a maioria das pessoas que faz isso o faz
próximo aos bairros de periferia, onde dificilmente há garis. Custa segurar
seu lixo até sua casa, ou até descer do ônibus, ou do carro, ou quem sabe
até a lixeira mais próxima?
Não consegue mudar o mundo, mude seu dia a dia. Se você reciclar o seu
lixo, depois sua família também o fizer, já é alguma coisa. Se depois disso
seu vizinho começar a fazer teremos mais um avanço, e quem sabe assim
o seu prédio, ou a sua rua e depois seu bairro. Parece difícil?
É, realmente será se você tentar fazer a ordem inversa. Junte seu lixo
reciclável e venda para uma organização que o recicle; você pode ganhar
R$ 3,00 que pagariam o saco que usou para juntar o lixo, isso se você não
usou o bom e velho saquinho de supermercado.
Bom... Não vai adiantar eu ficar aqui falando, só quero que você se
lembre que o plástico que faz as sacolinhas de supermercado é feito de
um combustível fóssil, que é o mesmo que abastece o carro, ou o ônibus
que te leva para lá e para cá; e o pior, ele pode acabar.
A água que você bebe é a mesma usada no seu banho, e que fornece
a energia para seu banho quente. A terra é o planeta água, mas só uma
pequena parcela dela é potável. E sem ela...
...O que será da vida?
03/04/2008
Sim, eu estou precisando escrever, mas tem muita coisa
acontecendo que tem ocupado demais minha cabeça por
tempo demais... Mas vai passar.
12/12/2007
O que a vida espera de você?
O que você espera da sua vida?
Não sei o que ela espera de mim, mas sei que não espero nada
dela, afinal quem a faz sou eu.
Como já diz aquela propaganda de uma rede de supermercados.
"o que te faz feliz?"
Acordei ainda há pouco, depois de uma soneca pós caminhada
pensando no quanto perco meu tempo ficando stressado com as
coisas que não me fazem feliz, aquelas que incomodam demais
por simplesmente ferir nosso ego; e aí brigamos com tudo e com
todos. E isso resolve?
Não, pelo contrário, só te faz perder tempo até que consiga se
acalmar e pensar com coerência para tomar uma atitude digna e
que não fira a você e nem a ninguém. Aí podemos partir para o que
é certo ou errado. O que é certo e o que é errado?
Pelo espiritualismo, espiritismo e pelas doutrinas que veneram nossa
alma e dão ênfase à magia dos elementos o certo e o errado não
existem; o importante é você fazer bem a si mesmo, de forma que sua
alma se alimente de coisas boas e se eleve. E isso significa que você
deve fazer as coisas que você tem vontade, desde que isso não prejudique
seu corpo, e muito menos sua alma.
Porém vale lembrar que vivemos em sociedade, e o que nos faz bem pode,
de repente ferir um outro sem que você perceba. Então como acertar?
Há algum tempo tenho ensado sobre o meio termo, que de repente o
meio termo é segredo do bem estar. Parece fácil para uns, medíocre
para outros, e impossível para muitos. Depois fui saber que o budismo
prega algo parecido, mas para variar não me informei mais sobre isso.
Cheguei nessa conclusão porque já tive uma vida de desperdícios, com
gastos desenecessários com coisas desnecessárias, inclusive de tempo;
mas também já tive uma vida onde era difícil fumar ou até mesmo fazer as
três refeições do dia. Ou seja, conheci os extremos.
Enfim, isso nos leva à outros caminhos, como por exemplo:
Quais problemas reais você tem? E quais você criou?
Tenho percebido que a cruz que carregamos, somos nós que escolhemos,
e não Deus que acredita que conseguiremos ou não carregar. Filosófico,
religioso?
Não sei.
Li hoje de manhã que:
"A mulher que tenta definir o homem perde o encanto por ele, e o homem
que tentar entender a mulher se tornará estúpido."
Sempre acreditei que é impossível entender as mulheres, sendo assim tente
se entender para ter um bom convívio com elas. A vida é a mesma coisa;
não tente entedê-la, viva-a simplesmente. Não de forma que pareça estar aqui
de passagem, afinal a única coisa que levará dela é o que absorver em seu
trajeto.
Portanto escolha a vida que quer levar, a que te faz mais feliz, mas haja para
conseguir viver da forma que escolheu e não espere que os outros te ajudem
a conseguir alcançar o que você deseja, afinal as pessoas estão ocupadas
em buscar o que as faz feliz. Não espere que um namorado, ou namorada seja
responsável pela sua felicidade; nem um bom emprego, ou o carro dos seus
sonhos, quem sabe salvar os animais quando todo mundo virar vegetariano,
ou então a paz mundial. Não espere, faça a sua parte.
E qual é a sua parte?
Viver.
27/11/2007
Tô de saco cheio de pessoas.
De saco cheio de gente que não tem problemas de verdade e fica
dificultando tudo...
De saco cheio de mesquinharias por coisas que poderiam nem
existir...
De saco cheio de gente que tem saúde e pensa que os únicos
problemas da humanidade giram em torno de dinheiro...
Mas na verdade hoje eu queria ter dinheiro, assim pegaria as
pessoas que me fazem feliz e mudaria de mundo...
Faria um mundo nosso sem estas picuinhas malditas, que
a todo momento insistem em estragar meus dias, ou minhas noites...
Tô de saco cheio de dualidades, histórias mal contadas e de, porque
se eram 3, a partir de agora são 4?
Caralho!!!
Cadê o bom senso das pessoas?
Cada um tem sua vida, que cada um cuide dela, por favor!!!
Eu já não aguento ouvir gente falando da vida dos outros comigo,
não aguento mais gente palpitando na minha vida!!!
A única coisa que ainda tenho hoje, é a minha vida cassete!
Não quero a sua opinião, nem a de ninguém. Se não palpito na vida
de ninguém, porque querem palpitar na minha?
Se não me interessa o que você quer fazer da sua vida, porque você
tem que se interessar pelo que acontecerá com a minha!!!
Porra, mas que merda!!!
Fulano fez isso... Fulano fez aquilo... FODA-SE!!!
Quem sofrerá as consequências é o fulano, e não eu!!!
Agora se você depende das atitudes de fulano para mudar de vida,
senta e espera. Ninguém tem obrigação nenhuma de fazer nada por
você!!!
NINGUÉM!!! NINGUÉM!!! NINGUÉM!!!
Se alguém faz algo por você, é pelo simples fato de querer fazer. Se
você faz algo para alguém, por favor não espere nada em troca. Isso
parece injusto?
Não, não parece, é!!!
Você faz porque quer, se fizer esperando algo em troca, por favor não
faça!!!
Você quer ter seu espaço, limite-o!!! Você quer ser respeitado, se respeite
e aos demais idem!!! Quer que os outros te amem, ou te admirem; então
primeiramente se ame e se admire!!!
Você não tem obrigação de fazer nada por ningué, e ninguém tem a
obrigação de fazer nada por você!!!
PUTA QUE PARIU!!!
Que merda virou isso aqui!!!
Cansei...
Cansei...
Cansei...
Não quero mais nada disso, quero simplesmente minha vida.
Será que estou pedindo demais?
28/10/2007
No ano em que completei 30 anos renasci em muitos sentidos.
Analisando friamente as duas décadas anteriores, eu percebo
que sempre levei uma vida vazia e sem muitos objetivos; um
estilo de vida que não me transformou em alguém admirável,
e nem mesmo em um homem bem sucedido e digno de exemplo
a ser seguido. Me tornei mais um conselheiro por ter aprendido
com meus erros, do que uma referência em atitudes a serem
tomadas.
Dos 20 aos 30 namorei seis anos, fiquei noivo duas vezes e
deixei de ser filho para me tornar pai. Neste ano a Sofia completou
8 anos.
Dos 28 aos 30 resolvi que teria que reaprender tudo, adotando
uma postura até simplista demais quando resolvi abandonar todos
os meus pré-conceitos, e abdicar de meus desejos. Mudei quando
decidi que vim aqui para aprender, e não para ensinar como achava
ser capaz de fazer até então.
Além dos tropeços e trancos da vida, tive alguns professores que
vale a pena citar.
A Sofia me ensina cada dia mais que já não sou mais criança, e
que as consequências de meus atos não têm mais tempo para
serem solucionadas pelos outros, ou simplesmente esquecidas.
A Juliana me ensinou que o amanhã não tem importância se nós
esquecermos de viver o hoje.
O Beto me mostrou que não precisamos de muito para viver, apenas
nós e as necessidades básicas.
A Simone me mostrou que podemos ser responsáveis sem sermos
chatos.E assim podemos nos divertir sem abandonar as rnossas
esponsabilidades.
A Tatzi me ensinou e ensina, que podemos ser crianças mesmo sendo
adultos, que muitas vezes procuramos e não encontramos as coisas
pelo simples fato de sabermos o que procurávamos. Que caminhar na
mesma direção e lado-a-lado é possível, mesmo quando estamos
distantes.
Em cada atitude minha e das pessoas que me cercam, eu aprendo um
pouco mais. Está certo que ainda falta muito para eu me tornar o que
pretendo me tornar. Mas aparentemente estou finalmente seguindo
o caminho certo, dando um passo de cada vez e tentando a cada dia
que passa me melhorar. Sei que só assim conseguirei melhorar o meu
entorno, sendo uma pessoa melhor para mim e para os que me cercam.
Com 30 anos tenho um pouco mais de experiência do que com 20,
com certeza uma experiência bem diferente do que quando tinha 10;
mas já não tenho mais tanto tempo.
24/10/2007
Aí já fica mais fácil de lembrar...
Em 1996 completaria 20 anos com muita diferença em
relação aos primeiros 10 anos de vida.
Neste ano já tinha algumas histórias para contar, clao
que em muitas delas seria difícil ter orgulho, mas em
momento algum me arrependeo de tê-las vivido.
Dois anos antes eu realizei o sonho de tirar carta e ter
em mão meu primeiro carro; já havia namorado a Cilene,
a Inez , e atualmente namorava a Adriana. Analisando
hoje as minhas atitudes eu vejo o quanto era imaturo.
Sempre fui um cara de sorte e tive muitas oportunidades,
e como diz meu pai, o importante é perceber os erros com
tempo de não cometê-los novamente; isso é sinal de
amadurecimento. Desperdicei muitas oportunidades, e aos
20 já havia sido até empresário ao lado de minha irmã e
minha mãe que há 8 anos já não estava mais casada com
meu pai.
Era a época do Professor Moriartys, a casa noturna que meu
pai se aventurou a abrir. Eu trabalhava na Hobby vídeo,
estudava no Costa Braga de manhã e mesmo namorando saía
quase todas as noite; inclusive com outras mulheres.
Não falei que não poderia me orgulhar de muitas atitudes?
Nesta época era frequentador assíduo do Madame Satã, que
habitava o mesmo espaço físico só que com o nome de
The-The; mas preferia ir ao Espaço Retrô, que levava o mesmo
nome ainda, porém num espaço físico diferente.
Era a época de sair com o Sérgio e a Fef´s, de calças jeans,
calças pretas, calças verdes; com camisetas pretas e o bom e
velho coturno herdado do Marcio punk, nosso amigo da rua da
casa da praia. Coturno este que me acompanha até hoje, bem
como as cores e o estilo de roupa.
Era a época do topete estilo "Barrados no Baile", que me forçava
a acordar 5min. antes do normal só para moldá-lo com secador
e spray Karina.
Definitivamente foi a época de minha vida em que tive maior
convívio social.
Também foi neste ano que a mãe de meu pai, a avó Mercedes,
viria a falecer.
Em 1996 foram escritos meus primeiros poemas, que eram
rebuscados demais e foram responsáveis pelo início dessa prática
que insisto em manter. Aliás uma das poucas que trago daquela
época.
Foi o ano do show do The Cure, que só fui assistir graças a Fef´s
que me deu o ingresso, e foi comigo, masi o Evandro assistir.
Nossa... Muita coisa aconteceu em 1996.
É... Com 20 anos eu sabia muito pouco a mais, do que quando
tinha 10 anos.
21/10/2007
Não me lembro muito bem do meu aniversário de 10 anos,
apesar de ter uma boa memória 1986 não está fresco nela.
Lembro-me que andava de skate, adorava roupas camufladas,
usava tenis Skin-Heads; e claronão podia esquecer disso, foi o
ano em que pedi um disco importado do Sigue Sigue Sputnik
de amigo secreto, mas no fim ganhei o "The head on the door"
do The Cure.
Minha amiga secreta era a Lizandra, uma garota que tinha a
mesma idade que eu; era alta, esguia, bem branca, cabelos
negros e com um sorriso meio tímido. Era descendente de
espanhóis e usava óculos.
Nesta época minha irmã era dark, e através dela escutei muitas
das músicas que escuto até hoje; como "Crushed" do Cocteau
Twins, "Just like honey" do Jesus and Mary Chain e "Inspiration"
do Section 25. E como ela namorava o Marcelo que era punk,
acabei por trazer outras bandas comigo até os dias atuais; como
Dead Kennedys, Sex Pistols, Inocentes, Plebe Rude...
Posso até estar enganado, mas acho que foi nesse mesmo ano que
aconteceu um show um show de aniversário da rádio Jovem Pan,
onde tocaram Capital Inicial e Legião Urbana no ginásio do
Ibirapuera. Eu estava lá!
A memória da gente é algo engraçado.
Pôxa, há quanto tempo não lembrava da Lizandra e de tudo isso?
Não, a Lizandra não foi uma de minhas paixões... Mas pensando
friamente eu acho que o estereótipo das mulheres que eu gosto
de iniciou com ela.
Neste mesmo ano fiz muitas amizades inesquecíveis, e que nunca
mais tive contato. Só para variar...
Neste ano também fui ao centro de São Paulo pela primeira vez;
meu pai, minha mãe e meus irmãos. Meus pais sempre foram e são
apaixonados pelo centro, e com este passeio acompanhado das
histórias de meu pai sobre aulas cabuladas, almoço na já fechada
Casa California; e por fim nos levar pela primeira vez ao McDonald´s
em uma loja que já nem exite mais na rua São Bento, herdei o amor
por esta região da cidade.
Assim como a Casa California e esta loja do Mc, aquela época não
existe mais senão em minha memória.
Enfim...
Em 1986 completei 10 anos de idade, e só tenho certeza de uma
coisa...
Eu sabia bem menos do pouco que sei hoje, mas não tinha tantas
preocupações e responsabilidades.
02/09/2007
Quando Chaplin filmou "Vida moderna" não fazia
a menor idéia de como ela realmente seria; acho
que quem chegou mais perto foi George Orwell
com seu "1984", está certo que com um atraso de
aproximadamente 20 anos.
Há muito tempo atrás, quando ainda era apenas
mais um dos muitos office-boys que figuravam nas
ruas, escutei um cobrador falando "...hoje para morrer,
basta estar vivo", mal sabia ele o que se tornaria a
megalópole que tanto amo; provavelmente o cobrador
não era paulistano, e o corpo que estava estirado na
avenida São João...
Podia ser qualquer um.
Por que tudo isso?
Após o 17º assalto sem reação de minha parte, vejo
que realmente em lugar algum de SP estamos seguros.
Outro fato interessante a ser levantado, é quanto a hora
de cada um; será que realmente existe sua hora, ou será
que um belo dia alguém diz "Precisamos diminuir o peso
na Terra, vamos tirar mais uns lá de baixo"?
Digo isso porque no mesmo dia que fui assaltado, ocorria
no Rio de Janeiro um assalto muito semelhante, só que
com uma pequena diferença. A vítima era uma garota que
se negou a entregar a mochila e foi baleada.
Enfim, perdas a parte mais uma vez saí ileso. Mentira!
Em nenhum assalto levam somente seus bens materiais,
você passa dias sentindo falta de sabe-se lá o que, e é isso
que te faz mais falta, o algo indecifrável que você acaba
sentindo falta.
Desta vez apesar de perder este algo indecifrável, eu tive
a sorte de encontrar algumas pessoas de alma caridosa que
encontraram meus documentos e cartões jogados na Joaquim
Floriano. A eles só tenho a agradecer.
Mas ainda faltou algo além do indecifrável, roubaram o caderno
que me acompanhava para não deixar as inspirações escaparem
quando apareciam. Mais do que o indecifrável, com certeza esta
foi a maior perda; e o irônico que dentre os muitos textos e poemas
não digitados havia um específico que falava justamente sobre
perder. Era algo mais ou menos como "Tenho tido medo de ganhar,
porque sei que posso perder...". Irônico não?
Com a perda do celular, perdi todos meus telefones de contato e
aproveitei o advento do Orkut para solicitar aos amigos que lá se
encontram; recebi muitas respostas com os números, alguns ainda
não responderam e houve uma resposta em particular que até me
inspirou a escrever este post. Veio de uma amiga que não tenho
muito contato por falta de oportunidade, e que além de ser uma
mulher linda e inteligente, escreve muito bem.
A frase é de autoria da Andréia Werlich de Florianópolis e diz
exatamente isso:
"Que pena que te furtaram os versos...
Mas jamais a inspiração!!!"
E cá está ela.
Do filme 21 Gramas
Quantas vidas vivemos?
Quantas vezes morremos?
Dizem que no momento exato de nossa morte perdemos
21 gramas.
Quando perdemos 21 gramas?
O quanto vai junto com eles?
O quanto se perde?
O quanto se ganha?
21 gramas, o peso de uma pilha de cinco moedas,
de uma barra de chocolate...
Quanto pesam 21 gramas?
14/07/2007
Perambulava sempre sem destino pelas ruas do centro de São Paulo,
sempre passando pelos mesmos lugares, os mesmos onde se sentia
seguro.
Volta e meia estendia um pouco suas voltas por lugares mais ermos
do que os habituais, passava pela Ladeira da Memória, biblioteca Mario
de Andrade; e as vezes até atravessava a Praça da República para
passar em frente aos inferninhos da rua Aurora.
As vezes ia acompanhado, mas na maioria delas estava só. Certa vez
passava pela rua Major Sertório quando lhe pediram um cigarro, sacou o
maço de Lucky Strike do bolso e estendeu sua mão num gesto generoso;
o travesti até tentou puxar conversa, mas nunca conversava com ninguém
durante suas caminhadas solitárias.
De vez em quando ficava sentado quase invisível na escadaria do banco em
frente ao edifício Copan observando o vai e vem de carros e pessoas na entrada
da movimentada casa noturna que só abria lá pelas 04h da manhã. Observava
atentamente os adeptos do estilo de vida “basta escolher, basta pagar”; e
balançava negativamente a cabeça num gesto hipócrita como se nunca tivesse
feito aquilo.
Durante muito tempo estas voltas satisfaziam sua vontade de sair de casa, mas
aos poucos as mesmas foram perdendo o sentido, bem como os pensamentos
que povoavam sua mente durante as mesmas.
Com as dificuldades financeiras que enfrentava, queria de alguma forma ajudar as
pessoas necessitadas com quem cruzava nas noites, que por muitas vezes
durante o ano eram frias.
Sem dinheiro mas cheio de boas intenções como só o inferno é, resolveu aniquilar
o sofrimento das pessoas do modo que achava mais justo.
Estudou durante semanas um jeito de sua ajuda não ser descoberta, até encontrar
o modus operandi perfeito. Conseguiu uns calmantes com as vizinhas de sua mãe,
alegando stress no trabalho, e todas as noites os dissolvia em uma garrafa térmica
cheia de chá.
Colocava sua mochila nas costas para transportar a garrafa térmica e os copos
descartáveis e saía para sua caminhada.
Estava passando pela rua XV de Novembro quando encontrou o primeiro mendigo
ao qual ofereceria a ajuda. Conversou um pouco com o homem que aparentava
cerca de cinqüenta anos e serviu o chá ainda quente. Enquanto o mendigo se
ajeitava sobre os papelões e se cobria, o rapaz cantava uma velha canção de ninar
que escutava ao som da voz de sua mãe quando era criança; e quando finalmente
percebeu que o homem havia adormecido mudou a canção e a entonação doce da
voz para Sweet Dreams na tosca versão de Marilyn Manson enquanto quebrava o
pescoço do homem.
Já faz alguns anos que pratica este ritual sádico que tem a coragem de chamar de
ajuda aos necessitados, e os jornais insistem em dizer que os moradores de rua têem
morrido pelas baixas temperaturas do inverno paulistano.
Mais um trago
Desejo de fazer tudo ao mesmo tempo
Vontade de fazer nada
Sentir-se aprisionado
Solidão exarcebada.
O mundo as vezes nos aprisiona em nossa solidão
deixando-nos presos a nossos espelhos, fugimos a
cada noite, a cada dia, mas quando voltamos a solidão
nos alucina.
Saudade só existe em português e faz o tempo parar.
Amigos, bebidas, cigarro (hummm, mais um trago)...
balada, gente, dança e movimento.
Melhor ir para casa e dormir escutando um Cocteau Twins.
Encarar-se é difícil.
23/05/2007
Qual seu mundo perfeito?
Muito se vê nos filmes de ficção científica, mas pouco sabe-se
realmente de como seria um mundo perfeito.
Vê-se nesses filmes que as pessoas possuem um padrão de vida
razoável, parecendo até um comunismo meio liberal; ou seja,
todos possuem mais ou menos as mesmas coisas, mas tem
liberdade para ter o que quiser.
Aparentemente o governo tem controle total de tudo, e todas as
pessoas são mais ou menos como nós brasileiros... Acomodados.
E de repente, no filme, sempre aparece uma ou mais pessoas que
questionam esse perfeccionismo do mundo, do controle exercido
pelo governante soberano.
Aí que eu pergunto, se tudo é tão perfeito, porque tem gente que
questiona?
Quer coisa mais normal que isso?
Pode realmente ser um mundo perfeito. Pode sim, mas não para
todos.
O meu mundo perfeito é diferente do seu, e o seu diferente dos outros
que te cercam; alguns podem até ser muito parecidos, mas jamais
serão perfeitos o suficiente para você porque não foi você que o criou.
E quando você o criar, ele não será o mundo perfeito de outras tantas
pessoas que idealizaram um mundo perfeito ao modo delas.
Então qual é a definição de mundo perfeito?
Um mundo sem guerra, sem violência, sem miséria, sem fome, sem
discriminação, sem corrupção...?
Poderia até ser, mas isso só seria possível no dia em que o homem
voltasse à estaca zero e mudasse todos os seus valores, e mesmo assim
ainda não seria perfeito para todos.
Deus errou uma vez. Errou a partir do momento que deu aos seus filhos
tudo aquilo que ele julgava bom eles terem. E nós, como bons filhos que
recebem tudo de graça não soubemos valorizar. Se somos todos irmãos
não há nada de errado em brigarmos, em discutirmos e principalmente
em acreditar e pensar diferente uns dos outros.
Bem vindos à grande família!
Quer um mundo perfeito para você?
Crie-o, acredite no seu mundo perfeito; mas lembre-se que o seu mundo
não inclui outras pessoas no bom, e no mau sentido. Pondere-se ao seu
mundo de forma que não precise prejudicar niguém para tê-lo.
Você consegue?
Qual seu mundo perfeito?
Depreciação
Eu vejo a degradação humana
Ela está nos olhos de cada um que vejo passar
As lágrimas trancadas os entregam
Olhares adultos com jeito inocente... Perdidos
Olhos sem vida, não enxergam mais o belo
A beleza está no material
Mudaram-se os valores
Viva o descartável
Até a inocência das crianças se perdeu
Virou pó ao vento que acelera o tempo
Aquele que insiste em voar cada dia mais
Deixando para trás quem insiste em fantasiar
Mundos cor de rosa, azuis, pretos...
Cada um com sua máscara de vaidades
Escondendo suas vidas, descartáveis, vazios
Posses, lucro... Consumismo ilimitado
Valor é o quanto custa
O sorriso descartável vale mais
Mais vale ser comprado e dominado pela matéria
Quanto tempo seu celular te acrescenta de vida?
Compensações inúteis descompensam...
Você já não vale o que é, vale o que tem
Mais do que nunca virou obsoleto
O que você sabe não interessa se não tiver nada
O que você tem para oferecer?
Seu conhecimento? Sua experiência?
O que eu ganharei com isso?
Nem sua alma de nada vale, não é último modelo.
29/04/2007
Ahhhh... As paixões!!!
Estava pensando sobre elas essa semana, e o engraçado é
que desta vez não foi um pensamento vago e sem sentido.
Descobri esta semana que eu estou apaixonado!
Até aí nenhuma novidade para quem me conhece bem,
afinal sempre me apaixono, algo como a cada semana ou
a cada mês uma nova paixão; quer dizer, seria normal se
isso não acontecesse nesta atual fase em que decidi abdicar
dos desejos e dos planejamentos futuros. Deixar os sonhos
para atrás?
Não, de forma alguma, afinal o que é a vida sem os sonhos;
ainda mais para um sonhador como eu!
Mas o que é uma paixão?
Uma paixão é algo que te faz bem, te deixa feliz e sorridente,
é aquela coisa boa que alguns definem como "borboletas no
estômago"!
Qual seria a sua paixão, há uma regra sobre paixões que diga
que ela deve ocorrer por alguém ou alguma coisa?
Acredito eu que não.
Eu descobri que finalmente estou apaixonado por mim, pela
minha vida. Apesar dos pesares ela é apaixonante e tem me
mostrado que mesmo com 30 anos e sem conseguir fazer "nada"
para desfrutar de momentos capitalistas de prazer, ela é muito
prazerosa.
Eu descobri que como toda paixão tem horas que nos sentimos
inseguros em mantê-la, e que há horas que podemos perder o
controle querendo desistir de levá-la adiante. Mas o que seria de
uma paixão sem os momentos turbulentos?
A maioria das pessoas difere paixão de amor pelo simples fato
de uma ser intensa e o outro ser incondicional e linear. Porém
os dois unidos podem te deixar em um êxtase inigualável, é uma
daquelas sensações inexplicáveis em que você se sente tão bem
que não percebe que é feliz a qualquer momento, e não só quando
consegue algo que desejava.
Viva o animal mais irracional do mundo! O ser humano!
Esta raça burra não percebe isso nunca, e faz com que a vida seja
alimentada por momentos de felicidade sentidos a cada nova conquista.
Você já viu alguém dizer que é feliz?
Escuta-se muito pouco isso por aí; mas dizerem que se conseguissem
isso ou aquilo os faria mais feliz é a coisa mais comum de se escutar.
Nossa felicidade está condicionada a nós mesmos, a aceitarmos o que
temos e da forma que temos. Isso seria comodismo, ou fuga da sua
incapacidade de conseguir as coisas?
Claro que não! Te garanto que você sofrerá muito menos se não ficar
pensando em como seria bom morar em uma cobertura em um bairro
nobre de qualquer lugar do mundo.
Planeje sua vida sim, mas procure primeiro construir uma base sólida
para se apoiar caso seus planos não dêem certo porque a decepção é
mais avassaladora que a paixão; tão mais que é capaz de destruí-la.
Quer se dar bem na vida?
Apaixone-se antes de tudo por você!
Se eu sou rico e bem sucedido?
Não, para mim isso não é sinal de estar bem de vida. Para mim quem
tem dinheiro tem a facilidade de realizar os desejos que o dinheiro pode
pagar; mas não que seja uma pessoa bem de vida.
Você acha que eu não gostaria de poder ir a qualquer lugar almoçar hoje,
ou de ter ido buscar minha filha neste fim de semana para levá-la à algum
lugar que ela fosse se divertir?
Eu amaria poder fazer isso, e só com dinheiro poderia fazê-lo, mas minha
realidade hoje é outra. É a realidade de quem aprendeu a aceitar que muitos
zeros depois do ponto em seu extrato bancário não te fará ter a pessoa
que você ama ao seu lado, não te fará descobrir que se um dia você não
os tiver mais, seus amigos de verdade prevalecerão ao seu lado.
A vida não é injusta, é só você que não se apaixonou pela coisa certa.
E se não fosse assim, a única certeza que tenho é que...
...Seria diferente.
29/03/2007
Definitivamente o desejo é o maior inimigo da humanidade.
Cada vez mais fico estarrecido com o que as pessoas podem
fazer para conseguir ter luxo, conforto e poder.
Sendo assim resolvi me movimentar e gritar...
...Pago o dobro!
Pago o dobro do valor que ia ser roubado pelos assaltantes da
agência Moema de um dos maiores bancos brasileiros, que na
tentativa de arrecadar dinheiro para comprar armas, drogas,
carros, casas, putas; e o que mais o dinheiro pudesse comprar
deixaram uma garota paraplégica num ponto de ônibus, e de
quebra colaboraram para que outro cidadão que trabalha e
paga impostos tivesse sua perna amputada.
Justifica?
O que você quer que ainda não conseguiu?
Aquela Mercedes que o figurão passeia com sua família sem
se quer trocar uma palavra com os passageiros, ou quando
fala alguma coisa é para discutir investimentos e qual seria o
presente melhor para agradar um dos componentes da rica
e infeliz família?
Infeliz... Isso mesmo, infeliz família que não tem valores como
companhia, confidência, afeto e alegria ao sentar-se na mesa
compartilhando os bifes de contra filé contados, e comprados
com o pouco dinheiro que deu para comprar uma carne no mês.
Qual a sua escolha, reclamar porque hoje a cozinheira não fez
seu prato predileto, ou rir do dia terrível que você teve porque
seu chefe estava puto porque a cozinheira não fez seu prato
predileto?
Agora pago o dobro do valor de um Corsa sedan (ou Classic)
para os ladrões de galinha cariocas que arrastaram uma criança
de seis anos por quilómetros, criarem um filho até os seis anos
e depois de todo carinho e dinheiro gasto para dar uma boa
educação; amarrarem seu filho em um carro e o arrastarem também.
É isso que vale uma vida?
Tá bom, não sabemos o valor dela até que percamos alguém que
amamos. Mas e estas pessoas que atiram para qualquer lugar por
não estarem satisfeitas com sua atual situação? Que direito têm de
fazer isso?
O que as diferencia de outros cidadãos comuns que trabalham para
conseguir aos poucos ter uma vida um pouco menos ordinária?
O que lhes dá o direito de tirar vidas para ter conforto?
"- Mas ninguém teria morrido se não houvesse reação."
Claro que não, mas mais uma vez ficaríamos estáticos assistindo a
barbáries que fazem crianças como minha filha de oito anos dizerem:
"...Papai, não sai na rua aí em São Paulo porque os ladrões estão
malvados."
É esse o mundo que queremos viver?
Imparciais a acontecimentos e continuando a reclamar sem fazer nada
para mudar?
Pago o dobro para quem quiser fazer algo para mudar!
28/01/2007
Até Quando?
Aquele senhor nascido em 1947 mais uma vez
estava certo,devíamos ter a experiência e
sabedoria de 40 aos 20 anos; aí quem sabe
aproveitaríamos melhor nosso tempo.
Hoje fiquei encucado com isso e estava me
questionando... “Como seria se a vida fosse
ao contrário?”
Imaginem como seria ter a mesma ordem cronológica
e ao invés de adquirirmos com o tempo, fôssemos
perdendo. Nasceríamos sabendo de tudo que saberemos
quando morrermos na ordem atual; teríamos o dinheiro
que conseguiríamos acumular ao longo de toda nossa
vida; e com o tempo iríamos usufruindo tudo isso para
chegarmos aos 50, 60 ou 70 anos como uma criança de
3 ou 4 anos... Totalmente puros e ingênuos.
Acho que saberíamos aproveitar melhor nosso tempo,
nossas oportunidades, amores...
Quem sabe o mundo não teria tanta maldade e
desigualdade?
Afinal a maldade é algo iminente do ser humana, a
bondade ele aprende ou não com o tempo. Se todos
já nascêssemos com um nível parecido de intelecto,
dinheiro e bondade; acho que teríamos um mundo quase
perfeito sem uns quererem aproveitar tanto dos outros;
teríamos menos desigualdade; enfim, acho que pensaríamos
mais em fazer nossa parte e veríamos o mundo com outros
olhos, apreciando as coisas ao nosso redor sem medo de
sermos assaltados, sem destruir tanta coisa.
Sei lá, encanei nisso.
Desejos
Quando criança eu queria ser adulto
Ser como meu pai sempre fora aos meus olhos
Um grande homem, um homem grande...
Fruto de toda a pureza que só as crianças têm
Sonhava com a liberdade fantasiosa da maioridade
Ainda tinha a desculpa da pouca idade para os erros
Jamais pensava nas conseqüências futuras
Aos vinte e um passei de filho a pai
Fruto de não pensar na conseqüência dos atos
E mais ainda quis ser como meu pai
Um grande homem, um homem já não tão grande...
Comecei a desejar o conhecimento
E o adquiri em todos os pontos de minha vida
Vejo que sei pouco mais do que quando era criança
Vejo que meu pai era um homem grande por eu ser uma
criança pequena
Hoje penso no que ainda posso fazer
Em quanto tempo me resta...
Quantos desejos quero realizar?
Quantos realmente conseguirei?
No dia em que morrer quero uma festa!
Uma reunião com todos que me cercaram
Todos aqueles que não encheram minhas festas de
aniversário
Quero realizar meu desejo de criança... Uma festa cheia
só para mim
Quero que se despeçam de mim
Quero que ouçam minhas músicas
Riam das trapalhadas que fiz
E digam que vivi, de forma correta ou não... Vivi!
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
18/10/2006
03/01/2007
E assim começa o novo ano...
Engraçado que este antes do outro terminar eu escutei falar
muito que esta história de ano novo era besteira; e se pensar
bem é. Mas tem seus pontos positivos.
Quer um exemplo?
Imagine se o tempo fosse corrido e não recebesse os devidos
nomes dos meses, e ainda não houvesse um tempo estipulado
de duração.
Como iríamos marcar um compromisso para o mês posterior,
seria algo do tipo:
"Daqui trinta e cinco dias farei uma festa e quero que você esteja
lá."
Ou então no caso de um financiamento de sessenta meses:
"Você tem sessenta parcelas para pagar, é uma a cada trinta dias
pelos próximos 1825 dias."
E pior, digamos que os dias não tivessem sido enumerados de
trinta em trinta para formar um mês:
"Estamos no dia 732.193 d.C."
E o mais interessante e que mostra que o ser humano, apesar de
dotado de inteligência ainda é burro, é o fato de que apesar de ser
a mesma coisa no ano seguinte ele ainda acredita que os próximos
doze meses, ou 365 dias as coisas serão diferentes. Que elas serão
diferentes é incontestável, mas ninguém garante que serão melhores
ou piores.
Quem criou estes termos e convenções deve ter pensado na esperança
humana, deve ter sido algum filósofo sofista que prometia que a cada
mudança de ciclo, ou cada doze luas cheias as coisas mudavam.
Ainda assim não concorda em dizer que o ano novo é novo?
Então faça o seguinte, imagine que estes doze meses ou 365 dias são
algo que você gosta muito de fazer. Por exemplo:
Se gosta de ler, imagine que é um livro; se gosta de escrever, imagine
um caderno; se gosta de carros, um tanque de combustível...
Se é um livro imagine que quando acabou o ano, o livro acabou e tudo
o que você pode absorver dele você aproveita. Se é um caderno, você
escreveu tanto que acabaram-se as folhas com tudo que você passou
naquele período e relatou naquelas folhas. Se é um carro, acabou o
combustível e você o está reabastecendo para a próxima viagem.
Enfim, se não está de acordo com o tempo que alguém determinou
crie o seu próprio da forma que melhor lhe agradar; mas nunca se esqueça
de se fortalecer ao término de cada período para iniciar um novo revigorado.
Desejos
Quando criança eu queria ser adulto
Ser como meu pai sempre pôra aos meus olhos
Um grande homem, um homem grande...
Fruto de toda pureza que só as crianças têm
Adolescente queria ser um pouco mais velho
Sonhava com a liberdade fantasiosa da maioridade
Ainda tinha a desculpa da pouca idade para os erros
Jamais pensava nas consequências futuras
Aos vinte e um passei de filho a pai
Fruto de não pensar na consequência dos atos
E mais ainda quis ser como meu pai
Um grande homem, um homem já não tão grande
Comecei a desejar conhecimento
E o adquiri em todos os pontos de minha vida
Vejo hoje que sei pouco mais do que quando criança
Vejo que meu pai era um homem grande por eu ser uma criança pequena
Hoje penso no que ainda posso fazer
Em quanto tempo me resta
Quantos desejos quero realizar
Quantos realmente conseguirei
No dia em que morrer quero uma festa
Uma reunião com todos que me cercaram
Todos aqueles que não encheram minhas festas de aniversário
Quero realizar meu desejo de criança... Uma festa cheia só para mim
Quero que se despeçam de mim
Quero que ouçam minhas músicas
Riam das trapalhadas que fiz
E digam que vivi, de forma correta ou não... Vivi.
05/11/2006
Daqui três horas e meia pego o ônibus para São Paulo.
Parece que finalmente deixo Floripa com a sensação de
fechar o ciclo que foi aberto em 1999.
É verdade, minha história com Floripa começou antes de
todos os acontecimentos de 2004 e finalmente parece
findar-se.
Na minha mente a Ilha da Fantasia foi engolida pelo mar
que a rodeia, salvo claro uma dúzia de pessoas que ainda
manterei contato por terem se mostrado grandes e verdadeiros
amigos. Quem os é sabe.
Até o clime propiciou essa sensação, está cinza como gosto
em São Paulo, e mesmo indo comer um peixe delicioso a
beira da Lagoa da Conceição; eu não consigo mudar a
sensação que estou sentindo de dever cumprido.
Viremos a página na BR, onde deixaremos junto com a Ilha
todas as mágoas e traremos somente os aprendizados colhidos
ao longo destes sete anos. Vivamos o presente que trará o futuro
deixando o passado para a memória somente. Aquela memória
que vale a pena remexer somente quando for interessante
compartilhar as experiências tentando proteger quem nos cerca e
por ventura queira se aventurar da mesma forma.
Floripa já não tem mais graça, é como um livro que você gosta
muito e um dia descobre outro que te interessa mais ainda. Gostei
muito de Floripa, agora ela só faz parte da minha prateleira.
A Ilha
E assim se faz escura a ilha
Aquela que todos dizem ser ensolarada
Por mais que brilhe o astro rei
Aqui mais do que em qualquer lugar ele não significa nada para mim.
E agora o ciclo realmente se fechou
Cicatrizou as feridas que vez por outra insistiam em arder
A ilha é assim, te absorve e aprisiona quem se aventura
Enfeitiça os despreparados levando-os quase à loucura.
Vini, vidi vici...
...Não enquanto aqui estive
Página virada, livro guardado...
...Guardado na prateleira dos arquivos mortos de minha mente
Deixemos que alí perpetuem os desgostos encontrados
Bem próximo ao mar para a próxima cheia os levar.
21/03/2006
Eles estão em extinção, dificilmente vê-se um passando
pelas ruas.
Eles deram lugar aos racionais e objetivos deixando o
mundo mais opaco e lógico do que nunca.
É verdade, antigamente viam-se vários passeando por aí,
imaginando como o mundo seria se fosse diferente, se
fosse possível voar, ou até fazer o mundo viver em paz
através da conversa, da amizade e do simples fato de
esquecer que o dinheiro comanda tudo. Quem tem dinheiro
tem armas, tem exércitos, tem bombas, tem tudo!
E nós, os sonhadores?
Nós temos os sonhos!
Nós temos as asas, as risadas, os momentos únicos onde
paramos e conseguimos observar e sentir tudo ao nosso redor
transformando aquilo tudo em uma cena de filme, ou uma
fotografia de paisagem que passa paz...
...Ou até mesmo transformarmos aquele simples momento
em uma história de amor, ou quem sabe um suspense.
Procuro Sonhadores!
16/09/2005
O mundo anda meio complicado, parece que cada dia
mais nos isolamos e deixamos de interagir com as
pessoas.São milhares de recursos que dispomos para
nos comunicarmos de forma impessoal e sem precisar
sair de casa: Internet, messengers, Skype, webcam...
... E o contato social morre a cada dia.
Acho que quando Gran Bell inventou o telefone não
imaginou que isso pudesse acontecer, acredito que sua
invenção teve a intenção de facilitar o contato entre as
pessoas e não que essa facilidade de contato fizesse com
que as mesmas se afastassem.
Claro, estaria mentindo se disesse aqui que não facilitou;
mas da mesma forma que facilitou o contato, afastou as
pessoas.
O que se vê hoje é o distanciamento pela facilidade de
comunicação. É sexo virtual, sexo por telefone; deu fome,
liga e pede comida... Tudo na ponta dos dedos.
É meio deprimente isso; e mais deprimente ainda se formos
mais longe para analisar que hoje muitos romances começam
via internet, ou até por aqueles serviços de disque amizade.
Tem um lado positivo nisso, muitas vezes as pessoas acabam
se interessando umas pelas outras por causa do intelecto ao
invés de prestar atenção inicialmente ao físico. De onde eu tirei
isso tudo?
Simples...
... Estava indo trabalhar hoje quando vi dois velhinhos
descerem do ônibus em frente ao cemitério de Santo Amaro;
na hora pensei:
"O mundo anda tão independente que daqui a pouco os velhinhos
virão sozinhos, de ônibus para o seu enterro..."
Mais tarde fui mais longe:
"As crianças estão cada dia mais independentes, cada dia
ficam independentes mais cedo; daqui a pouco o bebê vai
se cansar de ficar na barriga da mãe e nascer de parto normal
voluntário. Não por vontade da mãe, mas sim porque aquele
lugar era muito chato".
Devo realmente estar envelhecendo, essas coisas as vezes me
assustam.
Lucidez
Outra vez a incerteza
Onde iremos chegar dessa forma?
Esse mar pode vir a nos afogar
Estas ondas que nos atingem
Hora a maré sobe... hora desce
Quando desce leva-nos junto
Nós e nossas lágrimas
Fiquemos aqui, deixemos as lágrimas...
De que vale a vida sem os sonhos?
De que vale um amor incerto?
Vale a dor que me proporciona...
A incerteza de estar contigo?
Temos que alimentar a vida
Alimentá-la com nossos sonhos
O que seria dos amores sem os sonhos?
Talvez não doesse tanto
Distância que me faz enlouquecer
Tomemos o céu como ponto de referência
Assim a distância parece menor
Enganamos assim nossa dor
Esta inconsistência que preocupa
Toma-me pelo desinteresse
Desinteresse causado pela incerteza contínua
De que vale a vida sem os sonhos?
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
06/04/2004
31/07/2005
E assim vi que respiro com facilidade, dando vazão
a todo o ar que se apresenta a mim.
Logo pela manhã já vejo o sol, ou um céu cinzento
na minha janela; ambos sempre pedem para serem
contemplados. E assim o faço com um sorriso quase
que de orelha a orelha por finalmente entender que
a beleza está nos olhos de quem a vê.
Como sempre digo ainda não sei nada, mas hoje posso
dizer que sei o suficiente para me ver sorrindo diante
das coisas que me são oferecidas; sejam elas boas ou
ruins. Cada uma tem seu valor.
Depois de tantos tropeços, quedas, arranhões, fraturas,
cicatrizes, pontos falsos e cortes suturados; hoje cada um
deles serve como um manual para sobreviver diante do
novo olhando sempre a frente, acima e abaixo; tudo isso
sem me preocupar com o que vem pela frente, simplesmente
curtindo cada momento e eternizando-os em fotos e filmes
mentais. Filmes e fotos que eu produzo através de um roteiro
desconhecido e com uma receita simples. Viver!
Nunca tinha arriscado isso.
Hoje sorrio um riso de criança, aquele riso do presente tão
esperado debaixo da árvore de Natal; e se choro, bem...
...Choro as lágrimas de quem estava soterrado sobre escombros
do seu passado e foi salvo ainda com vida.
Hoje Vivo!
31/07/2005
Misericórdia
Sonho num momento
Acordado numa eternidade de devaneios
A vida e seus momentos
Momentos que constroem a vida
Instantes que eternizam na memória
Velocidade intensa, perturbadora!
Tudo passa despercebido
Pare! Pare agora!
Droga que vicia a mente
Impossibilidade de se concentrar
Olhe! crianças modificadas
Não há mais infância
Tome, leve sua dor!
Não a quero para mim
Sinta-a você mesmo
Experimente seu veneno
Nos tornamos assassinos de sonhos
A morte é o sonho
O sonho que a vida não alcança
Quando chegada não há mais sonhos
Nossa realidade imaginária
Um sonho interminável
Fuga dos sonhos reais, da vida real...
Sonho realizar, voar e entender...
Há o que entender
Há a realidade que sonhamos
Não a queremos agora
Sempre recusaremos o paraíso por medo.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
03/04/2004
08/07/2005
Acho que essa é a pior sensação que existe, a vontade
de tentar ajudar e ao mesmo tempo saber que não se
pode fazer nada.
Claro que temos que pensar em nós em primeiro lugar,
mas quando vemos alguém que amamos sofrrer, a
primeira coisa que pensamos é uma forma de ajudar.
Ao longe, pelo telefone se escuta um choro. Como
ajudar?
Você está preso no seu trabalho, não pode sair dali
naquele momento, e mesmo que pudesse... não tem
como chegar até aquela pessoa.
Já passou por isso?
É, vira e mexe eu passo por isso; só que tem situações
que por mais que você faça, jamais irá ajudar
totalmente, o máximo que você fará será minimizar o
sofrimento.
Acho que essa é a pior sensação de impotência que
existe, você de alguma forma querer ajudar e não
adiantar nada.Muitas vezes quero ajudar sem saber
como, outras quero ajudar sem ter como. Nessas horas,
tudo que eu quero é poder estar próximo a pessoa para
ao menos colocá-la em meu cólo, deitar sua cabeça em
meu ombro e ficar ali parado, só fazendo um cafuné
enquanto a pessoa alivia sua dor num choro que parece
interminável.
É o mínimo que podemos fazer a quem amamos; escutar
nem que seja só o choro, o soluçar... aquele pranto de dor
ou de saudade, as vezes pode ser também de arrependimento,
ou quem sabe somente uma forte melancolia... um saudosismo.
Hoje eu saí de casa chorando sem saber a causa, nem tentei
descobrí-la, afinal d que adiantaria, dependendo o que fosse
eu estaria impotente; as vezes estamos impotentes para
resolver nossos próprios problemas.
E sabe qual é o nosso maior problema?
Nós mesmos.
Dor da noite
É sempre assim quando acaba
Voltar só para casa
Não poder ouvir sua voz
Saber que a cama estará vazia
É sempre assim quando acaba
Sair sem você ainda não tem graça
Ligar a TV para o tempo passar
Pensar o que faria com você ao meu lado
É sempre assim quando acaba
A noite vazia e perdida
A risada sem graça predomina
Onde está você agora?
É sempre assim quando acaba
Mais uma cerveja ou um cigarro
Alguns amigos num papo furado
A música alta ensurdecida por sua imagem
É sempre assim quando acaba
O caminho de volta isolado
O choro engolido com a mágoa
Na face, a aventura de uma lágrima...
É sempre assim quando acaba
Dias ensolarados viram cinzentos
Noite estrelada acobertada por nuvens
Nós dois longe por nossos erros
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
04/04/2004
10/06/2005
Ele era só um amigo imaginário, mas de tanto conviver
com pessoas de verdade acabou se encantando pelos
sentimentos delas.
Como era imaginário, todo ano imaginava-se namorando
no dia dos namorados.
Após dez anos nessa situação via-se sem imaginação para
este ano imaginar-se com alguém. E na verdade apareceu
alguém real, mas era tão bom que parecia irreal.
Ele caminhava feliz com uma música feliz em sua cabeça e
com borboletas no estômago. Todo o dia chegava em casa
e ficava ansioso por falar com aquela que despertara
finalmente um sentimento real, que o fazia sentir-se bem de
verdade.
Tudo que ele queria era estar com ela, mas como imaginou...
... Era imaginário.
Eles se encontraram, comeram, beberam e se divertiram;
conversaram e mais uma vez sua imaginação pregara-lhe uma
peça. Era muito bom para ser verdade.
Pelo menos naquele momento aquilo não poderia acontecer;
poderia se fosse antes, ou quem sabe depois.
Era tudo muito vago para ser real.
As únicas coisas que pareciam realmente reais eram realmente
aqueles momentos que estiveram juntos, nem que fosse
imaginação, mas as sensações eram reais demais para ser só
imaginação.
Mas por mais que fosse real se tornou imaginação, ele finalmente
passaria seu dia dos namorados real, mais imaginário do que nunca.
E ele gostou da idéia, afinal se não fosse para ter sensações reais,
seria melhor imaginar-se comemorando este dia só do que
acompanhado de mais imaginação.Mas ele ainda quer que essa
pessoa que parece ser tão real, deixe de ser só imaginação para que
possa viver a realidade com ela.
Sem poema desta vez.
24/05/2005
Ele não havia dormido nada após a fatídica noite anterior,
mas mesmo assim saiu cedo com aquela que sempre fôra
seu amor platônico.
Rumaram para a marginal Pinheiros sentido rodovia dos
Bandeirantes, e após aproximadamente uma hora estavam
no parque de diversões.
Eles sempre se deram muito bem como amigos, em outras
ocasiões chegaram a trocar alguns beijos, todos eles muito
carinhosos; mas foram raros e nunca passou disso.
Ela via nele o seu anjo da guarda, mas ele sempre a enxergou
como a mulher ideal; mais velha, cheia de atitude, divertida e
com um gênio fortíssimo.
Ela sempre povoou suas fantasias, e neste dia fez com que ele
se sentisse criança novamente. Era um simples passeio no
parque, mas para ele era algo maior, era passar um dia inteiro
ao lado de sua mulher ideal.
Brincaram nas mais diferentes atrações, foram na montanha-
russa no escuro, riram como crianças, se molharam com as
crianças e comeram como adultos.
Mas tudo acaba.
Por volta de 19h dirigiram-se ao estacionamento que já estava
bem vazio. No caminho até o carro ela comentou sobre um livro
de Stephen King.
Ao chegarem no carro ambos foram até o porta-malas para que
ela trocasse de calçado, só que naquele exato momento
veio-lhe na cabeça a idéia de escrever um conto que começou
a contar para ela. Mas fez mais que contar, começou a
transformá-lo em realidade jogando-a dentro do porta-malas e
começando a beijá-la e despí-la.
Nunca havia agido assim antes.
Enquanto a possuía relatava seu conto e a estrangulava. Após
terminar deixou-a no porta-malas, fechou o mesmo e rumou
para a estrada de volta.
Durante todo o percurso tentou encontrar um motivo que o
tivesse levado a fazer o que fez. Mas não encontrou nenhum.
Adentrou em áreas desabitadas e achou um riacho que seria
perfeito para se desfazer do corpo e enfim voltar para casa.
Seguiu pelo caminho de volta, chegou em casa e tomou um
copo de Coca-Cola.
Só hoje
Mais uma vez, o mesmo...
O gosto amargo da decepção
A dor no peito interminável
Palavras impensadas por um gesto seu
Eu vou viver isso hoje
Amanhã eu acordarei sem ti
Indiferente! Sempre foi assim
Não irá doer nem um pouco
Foi bom, realmente bom!
Intenso, insano, incomum...
Magia rápida... se foi
Foi como uma chuva de verão
Duas vidas novamente
Dois objetivos diferentes
Caminhe por sua estrada
A minha construirei só
Os excessos mais uma vez
A inflexibilidade outra vez
O desrespeito por me ter
Mas sei que vou vivendo...
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
30/03/2004
15/05/2005
Foi só vê-la em sua frente que seu coração bateu mais
forte, faltou-lhe ar e ele ficou ali, estático.
Mas que sensação era essa?
Amor, paixão, medo...?
Fazia tempo que não se encontravam, mais ou menos
uns seis anos desde o primeiro e último beijo.
Ahhh... aquele beijo indescritível, nunca havia experimentado
um daqueles. Foi... foi... envolvente, instigante, excitante e
diferente de todos que já tinha experimentado, jamais se
esqueceu daquele momento em frente aquela casa escura da
rua Sergipe, bem ao lado do cemitério da Consolação.
Desta vez não houve o beijo, isso o enlouqueceu, tirou sua
razão de tal forma que começou a segui-la por onde quer que
ela fosse... perdeu suas faculdades mentais chegando ao ponto
de sequestrá-la.
Claro que como um iniciante foi preso, mas em seu julgamento,
seu advogado conseguiu ao menos alegar insanidade mental.
E os dias se passavam no Charcot e ele não parava de pensar
nela, naquele beijo e no mau que tinha feito para ela; era tudo
que ele menos queria...
machucá-la.
Sua melhor companhia era seu caderno e sua caneta, pelo
menos com eles conversava, e parecia que eles o entendiam.
Vivia bolando uma forma de sair dali. E assim foi manipulando a
mente de cada um que via não ser tão maluco quanto fora
dignosticado.
Numa tarde de sexta colocou em prática seu plano de fuga, foi
visitar o diretor do manicômio e mostrou seus poemas e contos;
de repente a sala foi invadida por outros internos que renderam
o diretor e armados de seringas com ar saíram pela porta da
frente.
Alguns foram recapturados, mas ele não; ele mudou de identidade
e hoje escreve em blogs pela internet.
Escreve histórias misturando realidade e ficção, espalha a loucura
pelo mundo com mensagens subliminares em poemas de amor.
Mas mesmo assim ainda não encontrou aquele beijo.
04/04/2005
Prefácio
Vou começar minha história
Esquecer o que conheci até agora
Traçar objetivos concretos
Arriscar meu conforto e comodidade
Trocar a facilidade pelo desafio
Viver uma nova realidade
Viver um novo tempo
Criar uma realidade a partir de mim
Deixar de lado velhas convenções
Antigos hábitos e incertezas
Abandonar medos e receios
Inseguranças e temores
Viajar para outros mundos
Explorar outros planos
Mergulhar em você
Criar nossa realidade
Venha comigo, venha nos realizar!
Subir um degrau por vez
Transpor as barreiras que encontrarmos
Começar uma história no final.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
29/03/2004
04/05/2005
Quando lá chegou pensou que seria a grande chance
de mudar de vida.
Tá certo que o bairro onde morava não era o que tinha
sonhado sua vida toda para ter sua família, criar seus
filhos e ter momentos felizes com sua futura esposa;
mas ele acreditava que aquilo era só o começo.
Arranjou emprego de manobrista num muquifo da cidade
e otimista, acreditava que aquele era o início da vida que
sonhou.
O muquifo era muito bem frequentado e foi conhecendo
pessoas influentes, gente de dinheiro... gran finos!
Começou a ser convidado para grandes festas particulares
em enormes mansões nos bairros chiques da cidade. Numa
dessas festas conheceu um rapaz aparentando trinta e
poucos anos muito bem vestido. Ficou impressionado com
apostura, o corte do terno, o jeito de falar e principalmente o
sucesso que ele descrevia ter atingido facilmente através de
transações ilegais com dinheiro. Nada de tráfico, roubo ou
dinheiro sujo, apenas captação de altas quantias para
aplicação em paraísos fiscais.
Voltou para casa empolgado contando ininterruptamente as
novidades para sua noiva. Era chegada a hora de mudar de
vida!!
Conversou com conhecidos seus que tinham o dinheiro para
lhe emprestar com a condição que o devolvesse mesmo sem
juros, mas lhes prestando alguns favores.
Nem tudo seria tão fácil como ele havia imaginado.Teve que
ameaçar, sofreu ameaças e perdeu seu amor. Mas......mudou
de bairro, estava bem de vida por causa de um simples
adiantamento que seu amigo engravatado havia lhe feito.
Morava agora num belo apartamento com vista para o mar...
sozinho.
Sentiu falta de sua amada.
Mas era chegada a hora de receber a grande bolada e virar
de vez a mesa, assim teria tudo o que sempre sonhou. Não
precisava mais ameaçar e nem sofria mais ameaças; teria
dinheiro e iria atrás de sua amada.
Só faltou um detalhe.
Encontrar seu amigo engravatado, o qual nunca niguém
havia escutado o nome.
01/03/2005
Cego
Não quero enxergar mais
De que adianta a visão?
Ver é frio e insensível
Sentido nulo sem os demais
Posso te ouvir…
Mas não posso te ver!
Posso te ver…
Mas não sei te sentir!
É fácil ver…
É fácil tocar…
É fácil ouvir…
Sentir é difícil
Queria ser cego!
Só assim abandonaria meu vício
Meu vício de tudo querer ver
Acho que só assim poderia te sentir
Suas palavras se perdem em minha cabeça
Não as sinto por não te ver
Quero aprender a sentir sem te tocar
Quero aprender a entender sem enxergar
Coisas boas não me acontecem com freqüência
Temo te perder por não te ver
Temo te perder por não te sentir
Quero te sentir sem te tocar.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
19/03/2004
28/04/2005
Saiu cedo de casa sem rumo certo.
Pegou as chaves, trancou a porta e seguiu até o carro.Entrou
nele, sentou no banco do motorista e num gesto desolado
apoiou os braços sobre o volante e a cabeça sobre eles. Ficou
ali aproximadamente trinta segundos,depois ergueu a cabeça
e deu o contato.
Ligou o rádioe colocou um de seus Cds prediletos. Não que
gostasse de sofrer, mas ele inteiro lembrava sua amada. Saiu
finalmente sem direção certa, não sabia se seguia a esquerda,
a direita... ou reto. Pegou a Marginal Pinheiros...
Iris, se desmanchou em lágrimas elembranças, sentiu-se
confuso por não saber que direção tomar também em sua vida.
Pegou uma estrada qualquer sem ler o que a placa
indicava. Bandeirantes, pistas largas, bom asfalto 120, 130, 140,
150... 180Km/h. Como tudo em sua vida ele resolveu acelerar o
carro sem medo do que pudesse acontecer, só prestando
atenção nos outros carros, na sinalização; não queria saber dos
limites, só lhe interessava ir para algum lugar. Mesmo sem saber
ao certo para onde.
Passou um, dois, três pedágios... alguns policiais tentaram
censurá-lo sem sucesso.
Curva perigosa!
Ele percebeu que perdeu o controle de sua vida.
24/02/2005
Crescer
Um dia me disseram que nós crescemos
Abandonamos a inocência e a pureza
A fantasia trocamos pela realidade
E a brincadeira pela responsabilidade
Um dia me disseram que temos que ser grandes
Conquistar e ostentar bens
Só assim seremos grandes
Só assim seremos importantes para o mundo
Um dia me disseram que é feio mentir
Mas quem disse isso também mente
Omitiu coisas que me fariam crescer
Mentiu até para me proteger
Um dia me disseram que aprenderia a amar
Mas descobri que amar não se aprende
Que o amor que aprende com você
Que amar se aprende por viver
Omitiram-me que amar pode doer
Que a saudade pode sufocar
Que a distância faz sofrer
Que podemos chorar por não nos ver
Quem inventou a saudade?
Não me disseram que ela existia
Me disseram que você partiria
E não disseram que mesmo assim contigo eu estaria.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
12/03/2004
19/04/2005
A necessidade de platéia é algo que muitas vezes pode
levar o ser humano a ter atitudes extremas.
E ela sabia disso.Tanto que vez ou outra ela parava na
esquina da Líbero Badaró com o Viaduto do Chá e ficava
olhando para o alto do edifício que tem ali. Não demorava
muito e já haviauma multidão ao seu redor para ver o que estava
acontecendo.
E ela gritava:
"- Não, não pule!"
E acenava com a mão num gesto negativo.
Quando lhe perguntavam:
"- Nossa, mas cadê a pessoa com quem você está falando?"
Ela respondia:
"- Ali, num tá vendo? No 35º andar"
Ela na verdade nem sabia quantos andares tem o prédio, mas
sempre tinha alguém que acreditava e depois engrossava o coro:
"- Não, não pule!"
Quando já havia um número suficiente de pessoas ela saía dizendo:
"-Gente louca, fica tentando se suicidar. Eu desisto de tentar ajudar."
Passado algum tempo as pessoas não mais acreditavam nela,
e a brincadeira foi perdendo a graça para sua autora,até o dia
que ninguém mais parou porque o funcionário da banca alertou
que não passava de uma maluquice daquela mulher.
A diversão dela havia acabado, não tinha mais público que
acreditasse nela; e não era só ali, em todo o Centro de São
Paulo as pessoas a conheciam.Virou uma celebridade.
Certo dia tentou brincar com as pessoas em lugares diferentes
do Centro e ninguém lhe deu atenção, até que na última tentativa
de chamar seu público ela resolveu transpassar o pára-peito do
Viaduto do Chá para que as pessoas parassem e tentassem
impedi-la.
Ninguém parou.
Conto escrito em 22/02/2005
A partir de agora postarei aqui no Only alguns contos que
estava escrevendo no Blog da Taty Marx, onde tbm escrevo
regularmente.
Como estou num intervalo criativo resolvi postar estes
contos porque tenho gostado muito deles e aqui todos
podem comentar.
Espero que gostem.
Choro
Aqui, venha para a chuva...
Sinta o calor de cada gota
Deixe-a levar sua tristeza
Sinta as gotas abraçarem tua pele
Perceba o significado disto
Aproveite as lágrimas dos anjos
Purifique-se com esta dádiva
Usufrua deste elixir
Aqui, venha para a chuva...
Deixe-se molhar pelas águas celestiais
Tente sentir o abraço divino
Purifique-se, deixe-a levar suas aflições...
Receba a pureza destas lágrimas
Sinta-a escorrer por sua face
Escorrer por todo seu corpo
Quedas d’água por seus contornos
Aqui, venha para a chuva...
Venha se molhar, não tema!
Alivie sua’lma sem medo
Deixe as águas a acalmarem
Que chova a noite toda
Molhemo-nos para disfarçar nossas lágrimas
Vamos rir por não ter o que fazer
Deixe-se molhar, deixe-me te ter.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
11/03/2004
14/04/2005
Morreu, mais uma vez mato uma série pelo mesmo
motivo das outras... baixa audiência.
Tirando que muitas pessoas (pretensão, só as que leram)
também criticaram muito os temas que utilizei para escrever
a série.
Sei, foi meio pesado e assustador se tratando de mim. Digo
isso porque quem me conhece sabe que sou extremamente
careta e contra as drogas.
A verdade é que escrevi a série pensando no filme "Requiém
para um sonho"; filme este que me deixou muito impressionado
e inspirado a falar sobre os vícios que tanto me incomodam.
A verdade é que depois do filme vi que todos somos viciados
em coisas diferentes, sejam elas lícitas ou ilícitas.
Bom... morreu.
Dias chuvosos
Chove em minha mente
Gotas de pensamentos absurdos
Dilúvio de idéias férteis
Incessante fertilização de planos
Que chova o concreto ou o imaginário
Que fique em pensamento
Que vire realidade
Mas não pare de chover
Que inunde meu cérebro
Que afogue meu raciocínio
Que leve a lógica com a correnteza
Mas não pare de chover
Molhe todos os cantos de minha cabeça
Temporal avassalador que preocupa
Preocupa por suas conseqüências
Deixará rastros?
Alaga-me a todo o momento
E quando não houver mais como escoar
Quando chover pensamentos de emoções
Quando a chuva esquentar o sentimento
Pensarei em como drenar este tormento
E sem solução meu corpo responde por mim
Meus olhos quase se fecham como aviso
Com lágrimas alivio meu pensamento.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
19/02/2004
28/03/2005
Ratatá!!!
Esquenta o prato...
Abre o pacote e despeja.
Cartão telefônico, bate para lá... tráz para cá.
Estica, enrola uma nota de R$ 1, a espingarda...
Ratatá... Ratatá... até ligar!
Sede, olhos estricnados, agito, agito...
Sem parar!
Ligadaço no menor movimento, tudo que imperceptível
eu percebo... olho para um lado e para o outro.
Maxilar que não pára, vontade de morder...
Ratatá... Ratatá... velocidade, voracidade...
Ratatá... Ratatá... até o nariz sangrar!
Bebe, bebe, sem limites, sem parar...
Formigamento, desespero, felicidade... ansiedade.
Mãos inquitas, falso alívio imediato, falsa paz...
Imediatismo, sem censura, inconsciência, inconsequência,
disritmia, arritmia... pulso, pulso.
Vôos desconexos, necessidade de me acelerar, o coração
saltando pela boca, pulsação explosiva, implosão...
Ah... ah... ah...
Sei voar, sou super sônico, tenho super poderes... ninguém
pode me controlar.
Visão além do alcance, sensação de tudo sentir intensamente...
demente!
Ratatá... Ratatá...
Game Over!
Sonâmbulo
Estou na terra dos sonhos
Lugar onde o impossível não existe
Onde a realidade é questionada
E o amor está sempre presente
Minha mente me confunde
Parece querer acordar-me
Trazer-me de volta à realidade
Mas o que isso tem de irreal?
Amar é possível, mesmo que complexo...
Que seja assim difícil de entender
Tão difícil que parece sonho
Penso sonhar, assim é mais simples...
É difícil aceitar a realidade
Mesmo que ela lhe faça bem
Lhe traga paz e felicidade
Mesmo assim ela dói
Que dor insistente!
Pare agora, deixe-me curtir...
Deixe-me curtir a felicidade deste sonho
A realidade deste sentimento!
Não me atormente mais
Deixe minha mente em paz!
Quero a realidade deste sonho
Quero acordado com minha vida sonhar.
Cristiano Rolemberg Carozzi Aguiar
19/02/2004
